Segunda-feira

Literatura no Enem

Em se tratando da prova relacionada a essa área do conhecimento – a Literatura –, você primeiramente precisa se conscientizar de que ela, assim como toda arte, é uma transfiguração do real, isto é, a realidade recriada por meio do espírito do artista vivendo em seu tempo.
Sendo assim, o artista, de acordo com sua ideologia, submetido a um contexto histórico, político e social, realiza um trabalho especial, cuja matéria-prima é a própria palavra. Dessa forma, torna-se evidente que em todo esse “manejo” predomina tão somente a função poética da linguagem, na qual a intenção do emissor, no caso o artista, é voltada para a própria mensagem, seja na estrutura ou na seleção e combinação das palavras, de forma a atingir plenamente seu objetivo “artístico”.
Com base nesses pressupostos, você terá condições de entender alguns dos objetivos referentes ao processo pelo qual irá passar, uma vez que é esperado que o aluno demonstre seus conhecimentos relacionados ao campo da Literatura, tendo em vista a capacidade de:
- Analisar, interpretar e aplicar recursos expressivos das linguagens, relacionando textos com seus contextos, mediante a natureza, função, organização, estrutura das manifestações, de acordo com as condições de produção e recepção.
- Estabelecer relações entre o texto literário e o momento de sua produção, situando aspectos do contexto histórico, social e político.
- Relacionar informações sobre concepções artísticas e procedimentos de construção do texto literário.
- Reconhecer a presença de valores sociais e humanos atualizáveis e permanentes no patrimônio literário nacional.
Torna-se importante ressaltar que tais objetivos estão intrinsecamente relacionados ao objetivo maior do Exame Nacional do Ensino Médio, que é – em vez de conduzi-lo a memorizações mecanicistas de conceitos – fazer com que você entenda acerca da aplicação dos termos e suas funções na língua. Vejamos, pois, como na prática isso funciona, partindo do exemplo de uma questão referente ao exame realizado no ano de 2009:       
Cárcere das almas

Ah! Toda a alma num cárcere anda presa,
Soluçando nas trevas, entre as grades
Do calabouço olhando imensidades,
Mares, estrelas, tardes, natureza.
Tudo se veste de uma igual grandeza
Quando a alma entre grilhões as liberdades
Sonha e, sonhando, as imortalidades
Rasga no etéreo o Espaço da Pureza.
Ó almas presas, mudas e fechadas
Nas prisões colossais e abandonadas,
Da Dor no calabouço, atroz, funéreo!
Nesses silêncios solitários, graves,
que chaveiro do Céu possui as chaves
para abrir-vos as portas do Mistério?!


CRUZ E SOUSA, J. Poesia completa. Florianópolis: Fundação Catarinense de Cultura /
Fundação Banco do Brasil, 1993.

Os elementos formais e temáticos relacionados ao contexto cultural do Simbolismo encontrados no poema Cárcere das almas, de Cruz e Sousa, são:
A- a opção pela abordagem, em linguagem simples e direta, de temas filosóficos.
B- a prevalência do lirismo amoroso e intimista em relação à temática nacionalista.
C- o refinamento estético da forma poética e o tratamento metafísico de temas universais.
D- a evidente preocupação do eu lírico com a realidade social expressa em imagens poéticas inovadoras.
E- a liberdade formal da estrutura poética que dispensa a rima e a métrica tradicionais em favor de temas do cotidiano.
Confira a resolução comentada do Brasil Escola acerca da questão em evidência:
A questão em evidência tem como verdadeira a alternativa “c”, pois, ao retratar sobre a questão do refinamento estético, ela se refere à construção formal, ora caracterizada pelo soneto, uma forma fixa que relembra os padrões clássicos, bem como a temática que reflete a ideologia simbolista, representando a crise de consciência do ser humano, levada às últimas consequências em função do contexto histórico pertencente à era em voga, ou seja, o Simbolismo.
Para manter-se informado e, sobretudo, “preparado” para obter um bom resultado na prova de Literatura, eis algumas dicas dos conteúdos que provavelmente serão cobrados. Aproveitando o momento, confira também sugestões de links nos quais poderá obter mais informações, ampliando assim seu conhecimento:
O Texto Literário

Estéticas literárias (estilos de época)

Tendências contemporâneas
Sintetizando, espera-se que você, caro (a) aluno (a), mediante tais elucidações, saiba aplicar de forma plausível seus conhecimentos, analisando todas as questões com a máxima atenção e atentando-se para as evidentes articulações entre os recursos expressivos e estruturais do texto literário e o processo social relacionado ao momento de sua produção.

Quarta-feira

Redação no Enem – Parte I

Você está prestes a enfrentar nada mais, nada menos, que 180 questões a serem analisadas e resolvidas. Na prova referente a Linguagens, Códigos e Tecnologias você irá se deparar com a tão temida redação. Tal fato o (a) assusta?
Se sim, uma boa dica é não deixar que isso se torne um obstáculo para você, o que pode gerar em resultados negativos quanto ao seu desenvolvimento mediante o processo avaliativo. Dessa forma, a dica principal pode ser dada em somente uma palavra – “preparação”.
Em face desse pressuposto, preparamos algumas dicas indispensáveis a qualquer candidato que deseje um bom desempenho, sobretudo no que se refere à redação. Assim sendo, ei-las:
Geralmente, o tipo textual mais requisitado é o dissertativo-argumentativo, no qual você irá se posicionar frente a um assunto, no intuito de convencer o interlocutor acerca da concretude de suas ideias. Para início de conversa, faz-se necessário que você se conscientize de dois fatores fundamentais: a necessidade do domínio do código linguístico, materializado pelos seus conhecimentos acerca dos fatos que regem a língua como um todo; e o outro diz respeito ao repertório, demarcado pelos seus conhecimentos, pelo conjunto de informações que se tem de um determinado assunto. Acredite! Munido (a) de ambas as competências, com certeza você irá longe.
O que significa ter domínio do código linguístico? Como você sabe, a linguagem escrita encontra-se submetida à variedade padrão, e essa, por sua vez, é regida pelos preceitos gramaticais. Assim sendo, cumpre dizer que distintos elementos integram essa modalidade, como, por exemplo, ortografia, semântica (relativa ao significado que as palavras apresentam em se tratando de um dado contexto), sintaxe (envolvendo questões relacionadas à concordância e à regência), entre outros.
Foquemos agora nossa atenção na importância do repertório. Imagine se você fosse convidado a falar acerca de um assunto do qual não tem o menor conhecimento. Seria, no mínimo, constrangedor, não é verdade? Daí a importância de estarmos preparados para expor nossas ideias e opiniões de forma sensata e consciente. Dessa forma, a base sólida para arquitetar um bom repertório é tão somente buscar informações, ampliando seu conhecimento em todos os sentidos.
De tal modo, nada melhor do que desenvolver o hábito da leitura de bons livros; manter-se informado (a) acerca dos acontecimentos que norteiam a sociedade de uma forma geral, assistindo aos noticiários nacionais e internacionais, lendo jornais e tantas outras fontes informativas que se encontram ao nosso inteiro dispor; conversar com amigos, familiares e pessoas influentes, no sentido de trocar experiências, compartilhar informações; ler editoriais, artigos de opinião, enfim, textos nos quais prevaleça o discurso argumentativo.

Segunda-feira

Redação no Enem – Parte II

Alguns aspectos, uma vez elencados na primeira parte do artigo, dizem respeito à construção textual. Assim, procurando dar continuidade à nossa discussão, seguimos com os demais aspectos a serem observados, todos de igual importância:
* A leitura da coletânea, evidenciada por meio de uma linguagem verbal e não verbal, representa o passo inicial de sua produção, pois ela retratará o tema a ser desenvolvido na redação, bem como proporcionará subsídios linguísticos que reforçarão ainda mais seus argumentos. 
Dessa forma, procure atentar-se bem a ela, lendo-a na íntegra e seguindo-a do início ao fim, pois a fuga ao tema incidirá em resultados negativos, até mesmo a pontuação zero.
* Outra questão diz respeito à performance de seu texto, a começar pela margem. Como deve ser o espaçamento do parágrafo? 

Eis que prevalece aí o bom senso em você deixar bem claro para o corretor que exatamente num dado local inicia-se uma ideia. Ao final da linha é importante também se manter atento(a) quanto à correta separação das sílabas.Confira mais informações em: Como as sílabas se separam

Ainda em se tratando dos parágrafos, procure ser comedido(a) ao construí-los, de modo a evitar que eles fiquem muito extensos. Tal fato, além de denotar uma má organização das ideias, acaba dificultando o entendimento do leitor a respeito do que você quis dizer. Como se trata de um texto dissertativo, torna-se conveniente nos conscientizarmos de suas partes principais, retratadas pela introdução, desenvolvimento e conclusão. Nesse sentido, devemos fazer com que os parágrafos sejam distribuídos de forma a atender esses aspectos fundamentais, sempre nos pautando pela quantidade de linhas pontuadas nas instruções, as quais devem ser seguidas de forma criteriosa.
* Para se fazer entender é preciso, antes de tudo, expressar-se bem. Mas de que forma?

Toda construção textual precisa estar calcada em outros dois elementos fundamentais: a coesão e a coerência. A coesão representa os recursos linguísticos responsáveis pelas ligações que se estabelecem entre os termos de uma frase, entre as orações de um período ou entre os parágrafos de um texto, de forma a torná-lo harmonicamente bem construído e agradável à leitura. Dessa forma, obtenha mais informações por meio dos textos: Como tornar um texto coeso 

A coerência refere-se à apresentação das ideias, estando essas de acordo com o gênero textual, com o conhecimento de mundo do leitor e com a própria lógica interna do texto. Confira um pouco mais em: Coerência 

* Como já mencionado, um texto dissertativo deverá constar de três partes básicas, uma vez materializadas pela:

- Introdução – representa a parte do texto em que o emissor apresenta brevemente o assunto sobre o qual irá discorrer, chamando a atenção do leitor para a sua efetiva importância;

- Desenvolvimento – distribuído de forma precisa, representa a parte mais extensa do texto, na qual as ideias serão desenvolvidas, os argumentos expostos de forma contrária ou a favor, tendo como finalidade principal a persuasão, o convencimento do interlocutor acerca das ideias então defendidas. Para tanto, faz-se necessário que esses argumentos estejam pautados em bases sólidas. Dessa forma, “achismos” são totalmente dispensáveis. Nesse sentido, o emprego de uma linguagem objetiva, redigida na 3ª pessoa do singular, clara e convincente, representa fator preponderante.
- Conclusão – refere-se à parte final do texto, representando o fechamento de todas as ideias e os argumentos abordados anteriormente.
Quando se fala em convencer o leitor acerca do posicionamento defendido pelo autor do texto, tal ocorrência se refere aos muitos recursos linguísticos utilizados com base em verdades inquestionáveis, como por exemplo, dados estatísticos, pronunciamentos de pessoas renomadas, comparações, analogias, raciocínios constituídos de uma relação de causa e consequência, enfim, entre tantos outros que corroboram para que tal intento seja perfeitamente concretizado.
Levando em conta essas atribuições, esperamos ter contribuído para o aprimoramento de seus conhecimentos acerca de como proceder mediante uma construção textual concebida de forma plausível. Desejamos a você um bom desempenho e, sobretudo, que consiga alcançar seus reais objetivos!